Há alguns dias, uma amiga relatou a seguinte conversa que teve com seu marido:
Ele - Ótimo aquele posto de gasolina que abriu ali na rua de baixo. Lavam o carro. O preço é justo. Tem lojinha de conveniência, com café expresso. Beleza!
Silêncio.
Ele (diante da expressão de estranhamento dela) - Por que está me olhando assim? Você não achou? (leia mais)
Acorda, toma café rapidinho. Corre no clube, toma banho rapidinho. Depilação, unha, supermercado, livraria, almoço rapidinho. Liquidação, tecido novo para o sofá, exposição na Oca, café rapidinho. Corre, que ainda tem que tirar o atraso do cinema, jantar em algum lugar que valha a pena, passar no aniversário da amiga e tentar dormir bem para descansar, porque os sábados servem para isso. Para tudo isso! (leia mais)
O seriado "Sex and the City" era muito divertido. O filme também é. As razões todo mundo já conhece: moda, humor, consumo, relacionamentos, consumo, amizade entre mulheres, lugares descolados, consumo, sexo, consumo e consumo.
No início da série, muitas eram as promessas. A mais importante delas, assim parecia, era retratar uma geração de mulheres independentes, solteiras, sexualmente livres, profissionais bem-sucedidas, que vivem bem sozinhas e não vêem o casamento e a família como as únicas saídas para a felicidade. Mulheres que gostam de romance e que, na falta de um par que valha a pena, aproveitam a vida e cultivam outros laços afetivos. Em resumo, o seriado parecia anunciar a solteirice como uma modalidade de vida, como outras, e não como um fardo do qual se deve fugir como o diabo foge da cruz. Parecia libertador. (leia mais)
Jantar entre amigos: alguns casais, alguns solteiros. Lá pelas tantas, um dos convidados empolga-se a falar, sob a atenta escuta dos demais rapazes, da “ultra-mega-hiper-tecnológica” plataforma da Petrobras que ele teve a oportunidade de conhecer. Robôs, batiscafos, sondas computadorizadas, equipamentos com nomes esquisitos, o incrível desafio da despressurização a quilômetros de profundidade e por aí vai. Ai, ai. A conversa parece reproduzir um filme de ficção científica “cinza-escuro”, “metalizado”, sem lágrimas e sem sorrisos.
As mulheres bocejam. A mesa, até então animadíssima, agora padece por não ter sido organizada a partir da clássica divisão: vocês para lá, nós para cá. (leia mais)
Os tempos mudaram, e como ninguém mais tem uma tia que tem uma empregada que tem uma sobrinha que tem uma prima que quer trabalhar, nossa amiga apelou para uma dessas empresas especializadas em ganhar dinheiro fácil, revestindo de inúteis técnicas de RH a difícil batalha por uma “auxiliar do lar”.
Na entrevista, três mulheres postam-se à mesa: contratante, candidata e profissional da agência. São a síntese das mulheres do Brasil. A rica, a pobre e a remediada. Afastadas pelas grifes, pela formação intelectual, pela culpa. Unidas pela determinação, pela TPM, pela chapinha. Papo vai e papo vem: (leia mais)